O Início da Escravidão

livro antigoA escravidão foi uma prática que ocorreu em diversos períodos, e por vários povos, na civilização grega, Império romano, na Mesopotâmia, antigos egípcios, hebreus, na Índia, China, e em outros lugares. Porém, a que teve mais destaque, foi a escravidão dos negros, principalmente após a descoberta da América. A partir daí, se iniciou o comércio de homens, mulheres e crianças entre as Américas e a África, o tráfico negreiro durante o período colonialista.

No Brasil, a escravidão começou com os índios, mas Marquês de Pombal proibiu a escravização, por dizer que não eram aptos ao trabalho. Mas a verdadeira história mostra que os índios tinham reações perigosas ao trabalho escravo, o que dificultava a organização da economia colonial, comprometendo os interesses mercantilistas da metrópole, que tinham como objetivo a acumulação de capital.

Essa proibição ocorreu no início da produção canavieira (primeira metade do século XVI), onde a escravidão africana “tomou lugar”, pois os senhores diziam que havia a falta de braços para trabalhar na lavoura. Porém, o real motivo era por exigirem uma mão-de-obra permanente e por não estarem dispostos a trazer portugueses e pagar o devido salário. Sem contar que o tráfico negreiro também era uma atividade rentável, possibilitava altos lucros à Coroa Portuguesa, e foi uma das principais fontes para acumular capitais para a metrópole, ou seja, era mais vantajoso do que escravizar índios. Além da lavoura canavieira, os escravos trabalhavam também nas áreas de mineração e na lavoura cafeeira.

Como os Escravos Viviam

O transporte de escravos era feito em porões de navios, em condições desumanas, ficavam amontodados em lugares apertados, sem ventilação, escuros, passavam fome, e muitos morriam antes mesmo de chegar ao Brasil, sendo jogados no mar. Os principais locais de desembarque era no Rio de Janeiro, Recife, Bahia, e em São Luís do Maranhão. Os comerciantes vendiam os escravos como mercadorias, os que eram mais saudáveis, novos, e fortes valiam muito mais do que os mais velhos e fracos. O valor dependia muito do sexo e da idade. As mulheres muitas vezes eram colocadas para fazer trabalho doméstico, serviam também como amas de leite e muitas vezes eram violentadas e abusadas sexualmente. Muitas engravidavam dos seus senhores, dando origem à população mestiça. O “lote” de escravos, valia mais do que as terras do fazendeiro, portanto quando morriam ou fugiam causavam uma grande perda econômica.

Os escravos viviam em senzalas, galpões escuros, sujos e úmidos e ficavam acorrentados para evitar a fuga. Eram castigados e apanhavam constantemente, na maioria das vezes com açoite (um tipo de chicote), para se sentirem intimidados, e garantir o trabalho e a obediência aos seus senhores.

Trabalhavam de quatorze a dezesseis horas por dia, em péssimas condições, vestiam apenas trapos e se alimentavam de maneira desprezível, no máximo duas vezes por dia. Sofriam não só torturas físicas, mas também psicológicas, pois os senhores destruíam os valores dos negros e tentavam impor a superioridade dos brancos.

Raramente conseguiam fugir e muitos que conseguiam eram capturados pelos “capitães-do-mato”, profissionais contratados pelos proprietários para recapturá-los. E quando voltavam, eram castigados ainda mais. Mas os que tinham sucesso na fuga, iam para os quilombos, comunidades de negros fugitivos, que viviam em liberdade, e de um modo comunitário. Um local onde podiam voltar às origens, praticar seus rituais religiosos, sua cultura e a falar a própria língua. O maior e mais duradouro quilombo, foi o quilombo dos Palmares, que se desenvolveu através do cultivo de milho, feijão, mandioca, banana, cana-de-açúcar, e artesanato, e era liderado por Zumbi. A reinserção social após a fuga era praticamente impossível, tanto para não serem descobertos, como também pelo preconceito racial.

Abolição da Escravatura

mapa paísesA escravatura durou cerca de 300 anos, e por volta de 1870 a 1888 houve um período de movimentação social e política, pela campanha abolicionista. Depois de um certo tempo, a prática da escravidão se tornou algo “normal” em meio à sociedade, mas haviam os abolicionistas, que eram contra esse tipo de abuso, era um grupo formado por literatos, religiosos, alguns políticos e pessoas do povo.

A partir da metade do século XIX a Inglaterra começou a contestar a escravidão no Brasil, e com grande interesse em ampliar seu mercado consumidor, começaram a fazer pressão e aprovaram a Lei Bill Abeerden (promulgada em 1845, proibindo o comércio de escravos entre a África e a América), dando o poder aos ingleses de aprisionarem os navios que traziam os negros.

Em 1871 foi promulgada a primeira lei abolicionista, a Lei do Ventre Livre, que dá a liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas que ficavam sob a tutela de seus senhores até atingirem 21 anos. Por volta de 1880 muitas pessoas abraçaram a campanha abolicionista e fundaram a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, entre eles alguns políticos e intelectuais importantes. Muitos jornais e revistam foram criados para fazer campanhas contra a escravidão e muitas pessoas começaram a se mobilizar e arrecadar fundos para pagar cartas de alforria (que garantia a liberdade do escravo). E a partir de todo esse movimento, o país foi tomado pela causa abolicionista.

No Ceará, em 1884, foi decretado o fim da escravidão em seu território, e por essa decisão, a pressão da opinião pública sobre o governo e as autoridades aumentou. E cedendo mais um pouco, promulgam a Lei dos Sexagenários, que libertava os escravos acima de 60 anos de idade, mas era uma lei sem efetividade porque a maioria nem chegava à essa etapa da vida.

Nesse período a campanha abolicionista uniu-se também à republicana e ao exército. E do exterior os manifestos a favor do fim da escravidão também aumentavam. A campanha tornou-se um movimento de massas.

Em 13 de maio de 1888, o governo imperial se rendeu às pressões, e promulgou a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, filha de D. Pedro II. A lei acaba de vez com a escravidão no Brasil. Os fazendeiros que ainda praticavam o trabalho escravo nesse período, não foram indenizados, e por se sentirem prejudicados abandonaram o Império, procuraram apoio na alta direção militar, formaram alianças e se tornaram republicanos, os famosos “repulicanos de 14 de maio”. Sendo assim, o Império perdeu o apoio dos barões, resultando na queda da Monarquia. Porém, a emancipação jurídica não ajudou a promover a cidadania, nem a ascensão social dos negros.